O FMI (Fundo Monetário Internacional) anunciou nesta segunda-feira (11/04) os resultados de sua publicação anual do relatório WEO (sigla em inglês de Perspectivas Econômicas Mundiais). A América Latina, que segundo a instituição, deverá crescer 4,7% em 2011 e 4,2% em 2012, foi aconselhada a gerenciar os “fortes ventos originados pela alta dos preços da América Latina das matérias-primas e pela entrada de capitais”.
A previsão de crescimento da região para 2011 subiu quatro décimos e a de 2012, um, em comparação aos números anunciados em janeiro. Segundo o fundo, a mudança se deve à "maior confiança na solidez da recuperação global e na melhora das perspectivas dos preços das matérias-primas".
No entanto, o levantamento “significativos riscos de superaquecimento” na região prevê uma inflação de 7,8% e de 5,5% respectivamente nos dois próximos anos.
O capítulo dedicado à América Latina (incluindo o Caribe) destaca a “importância sistêmica” do Brasil para a região, e assinala que "muitos países vizinhos estão se beneficiando de seu forte crescimento", previsto em 4,5% para 2011 e 4,1% em 2012. A inflação diminuiria em 2012, segundo o Fundo: dos 6,3% deste ano para 4,8%.
Em relação à inflação na Argentina, o FMI aponta que a previsão de inflação de 10,2 % é o número oficial divulgado pelo governo de Buenos Aires. O Fundo, porém, não confia nos dados fornecidos pelo Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos) apesar de utilizar-los, e afirma que “analistas privados” consideram que a taxa real será “consideravelmente superior”.
“Os analistas privados também opinam que o crescimento do PIB real foi significativamente inferior ao indicado nas estimativas oficiais em 2008 e 2009″, diz o texto.
Segundo o FMI, o México, outra grande economia da região, continua "estreitamente ligado" aos Estados Unidos, e suas últimas projeções de crescimento foram elevadas em quatro décimos, até 4,6% para 2011.
A dependência do processo da economia chinesa também é um fator destacado no comportamento desta região. O FMI adverte o "risco relacionado ao potencial desaquecimento" da economia asiática, que afetaria "o preço das exportações latino-americanas e reduziria suas perspectivas de crescimento".
Para os países denominados “Exportadores financeiramente integrados de matérias-primas (Fice)”, grupo no qual o FMI inclui Brasil, Chile, Colômbia, Peru e Uruguai, existem "sinais de potencial superaquecimento e os fluxos de capital já causaram tensões".
Para controlar este risco, o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, recomendou políticas de “consolidação fiscal” e “ferramentas macroeconômicas prudentes, incluindo os controles de capital”.
Blanchard considera o ‘boom’ de demanda e crédito arriscado, pois pode desembocar em “explosões finais”. Ele afirma que as taxas de câmbio devem seguir atuando como amortecedores do choque devido às melhores perspectivas econômicas na América Latina que nas economias avançadas. “A apreciação dentro de limites das divisas na região é boa, é parte do ajuste necessário, e não deveria ser combatida”, declarou Blanchard.
Blanchard considera o ‘boom’ de demanda e crédito arriscado, pois pode desembocar em “explosões finais”. Ele afirma que as taxas de câmbio devem seguir atuando como amortecedores do choque devido às melhores perspectivas econômicas na América Latina que nas economias avançadas. “A apreciação dentro de limites das divisas na região é boa, é parte do ajuste necessário, e não deveria ser combatida”, declarou Blanchard.
"Maus alunos"
Apenas três países no levantamento apresentaram uma perspectiva de crescimento negativa do PIB na média dos próximos dos anos. Receberam “nota vermelha” Portugal, Grécia e Costa do Marfim.
O Japão, por sua vez, terá o crescimento mais baixo de sua região (leste asiático), único a ficar com média abaixo de 2% (1,4% em 2011 e 2,1% em 2012). Os países nessa situação são identificados no relatório com a cor rosa. No Oriente Médio, o único país nessa situação,segundo o fundo, será o Irã (0%em 2011 e 3% em 2012), assim como a Suazilândia no continente africano, à frente apenas dos marfinenses.
Na América Latina, o mesmo ocorre com a Venezuela (1,8% em 2011 e 1,5% em 2012). O país terá também, segundo o fundo, a maior taxa de inflação (29,8% em 2011 e 31,3% no ano seguinte). Segundo a Cepal, em outubro de 2010 a taxa de inflação nos últimos doze meses, foi de 27,5% em outubro de 2010.
Fonte: Operamundi
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