quarta-feira, 27 de abril de 2011

Exportações do agronegócio batem recorde

O valor chega a US$ 79,8 bilhões no período acumulado dos últimos 12 meses; 

País deve superar os US$ 80 bi em abril



Brasília - O Brasil estabeleceu novo recorde nas exportações do agronegócio e alcançou US$ 79,8 bilhões, um crescimento de 19,7%, entre abril de 2010 e março de 2011. No próximo mês, o País deve superar os US$ 80 bilhões em exportação, um número inédito na história do comércio exterior do agronegócio brasileiro. O superávit comercial, consequentemente, também aumentou e chegou a US$ 65,5 bilhões, nos últimos 12 meses, na série histórica para o período.

O mês de março registrou a maior cifra, US$ 7,4 bilhões, o que representa um incremento de 22,6% em comparação ao mesmo período do ano passado. O saldo mensal ficou em US$ 5,9 bilhões. Os dados são apurados pelo Ministério da Agricultura desde 1989.

Cinco setores contribuíram significativamente para o aumento do valor no mês de março. São eles: o complexo soja (grão, farelo e óleo) aumentou 26,3%, o que representa receita de US$ 2,05 bilhões. O café teve incremento de 61,9%, o equivalente a US$ 704 milhões; o setor de cereais, farinhas e preparações subiu 183,7%, volume que corresponde a US$ 387 milhões; o item carnes aumentou 18,9%, percentual que corresponde a US$ 1,36 bilhão; e complexo sucroalcooleiro (açúcar e etanol) teve acréscimo de 27,1%, o equivalente a US$ 899 milhões. A participação destes itens passou de 67,2%, em março de 2010, para 73,2% do total exportado em março de 2011.

Conforme dados do Mapa, apesar do aumento geral do complexo soja (grão, farelo e óleo), houve redução da quantidade exportada de grãos e farelo, mas a queda foi compensada com a elevação dos preços (34,1% em relação ao grão e 19,5% sobre o farelo). Diferentemente, o óleo teve aumento de 138,7% na quantidade exportada (a alta de preços foi de 45,3%).

Assim como a soja, também houve diminuição na quantidade exportada de algumas carnes, equilibrada, porém, com a alta dos preços. Isso aconteceu com as carnes bovina e suína in natura. As carnes de frango in natura e industrializada, no entanto, tiveram um incremento da quantidade exportada de 2% e 23,7%, respectivamente. As duas registraram elevação dos preços. Com isso, a receita geral de carnes ficou em US$ 1,356 bilhão, 18,9% maior em relação a março de 2010.

No complexo sucroalcooleiro (açúcar e etanol), houve aumento dos preços e da quantidade exportada. O valor geral das exportações chegou a US$ 899 milhões, um crescimento de 27,1% em relação ao mesmo período do ano passado. O açúcar teve um aumento de 14,8% nos preços e o valor exportado ficou em US$ 838 milhões, 25,8% maior. Em relação ao álcool, foi registrado um incremento de 20% nos preços e o valor aumentou 48,8%, totalizando US$ 60 milhões nas exportações.

Destinos das exportações

Os valores exportados aumentaram para a maioria das regiões. A União Europeia, que engloba 27 países, e ocupa o primeiro lugar nas importações de produtos agrícolas brasileiros, aumentou a compra em 31,7% – passou de US$ 1,6 bilhão em março de 2010 para US$ 2,2 bilhões em março de 2011. Em segundo lugar, está a Ásia, com um incremento de 1,4%, e chegou a US$ 1,948 bilhão. Neste mês, a África subiu para a terceira posição, com elevação de 80,6% – de US$ 410 milhões para US$ 740 milhões.


Fonte: Folha Web

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Suínos/CEPEA: Abertura do mercado chinês tem pouco impacto no Brasil

Apesar da forte repercussão sobre a notícia da abertura, pela primeira vez, do mercado suinícola da China para a carne brasileira, ainda não foi observado impacto nas negociações da carne no mercado doméstico. Por ora, enquanto alguns dos agentes do setor consultados pelo Cepea se mostram cautelosos, aguardando detalhes deste acordo comercial, outros estão entusiasmados. Em novembro do ano passado, uma missão chinesa esteve no Brasil para inspecionar frigoríficos brasileiros que negociam suínos. Segundo informações divulgadas nesta semana, inicialmente, três frigoríficos brasileiros teriam sido aprovados para exportar a carne suína à China, mas a expectativa de agentes consultados pelo Cepea é de que esse número aumente nos próximos meses.

Fonte: Cepea/Esalq

terça-feira, 12 de abril de 2011

Em relatório anual, FMI projeta crescimento de 4,7% para a América Latina em 2011

O FMI (Fundo Monetário Internacional) anunciou nesta segunda-feira (11/04) os resultados de sua publicação anual do relatório WEO (sigla em inglês de Perspectivas Econômicas Mundiais). A América Latina, que segundo a instituição, deverá crescer 4,7% em 2011 e 4,2% em 2012, foi aconselhada a gerenciar os “fortes ventos originados pela alta dos preços da América Latina  das matérias-primas e pela entrada de capitais”. 

A previsão de crescimento da região para 2011 subiu quatro décimos e a de 2012, um, em comparação aos números anunciados em janeiro. Segundo o fundo, a mudança se deve à "maior confiança na solidez da recuperação global e na melhora das perspectivas dos preços das matérias-primas". 

No entanto, o levantamento “significativos riscos de superaquecimento” na região prevê uma inflação de 7,8% e de 5,5% respectivamente nos dois próximos anos. 

O capítulo dedicado à América Latina (incluindo o Caribe) destaca a “importância sistêmica” do Brasil para a região, e assinala que "muitos países vizinhos estão se beneficiando de seu forte crescimento", previsto em 4,5% para 2011 e 4,1% em 2012. A inflação diminuiria em 2012, segundo o Fundo: dos 6,3% deste ano para 4,8%. 

Em relação à inflação na Argentina, o FMI aponta que a previsão de inflação de 10,2 % é o número oficial divulgado pelo governo de Buenos Aires. O Fundo, porém, não confia nos dados fornecidos pelo Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos) apesar de utilizar-los, e afirma que “analistas privados” consideram que a taxa real será “consideravelmente superior”. 

“Os analistas privados também opinam que o crescimento do PIB real foi significativamente inferior ao indicado nas estimativas oficiais em 2008 e 2009″, diz o texto. 

Segundo o FMI, o México, outra grande economia da região, continua "estreitamente ligado" aos Estados Unidos, e suas últimas projeções de crescimento foram elevadas em quatro décimos, até 4,6% para 2011. 

A dependência do processo da economia chinesa também é um fator destacado no comportamento desta região. O FMI adverte o "risco relacionado ao potencial desaquecimento" da economia asiática, que afetaria "o preço das exportações latino-americanas e reduziria suas perspectivas de crescimento". 

Para os países denominados “Exportadores financeiramente integrados de matérias-primas (Fice)”, grupo no qual o FMI inclui Brasil, Chile, Colômbia, Peru e Uruguai, existem "sinais de potencial superaquecimento e os fluxos de capital já causaram tensões". 

Para controlar este risco, o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, recomendou políticas de “consolidação fiscal” e “ferramentas macroeconômicas prudentes, incluindo os controles de capital”. 

Blanchard considera o ‘boom’ de demanda e crédito arriscado, pois pode desembocar em “explosões finais”. Ele afirma que as taxas de câmbio devem seguir atuando como amortecedores do choque devido às melhores perspectivas econômicas na América Latina que nas economias avançadas. “A apreciação dentro de limites das divisas na região é boa, é parte do ajuste necessário, e não deveria ser combatida”, declarou Blanchard. 

"Maus alunos" 

Apenas três países no levantamento apresentaram uma perspectiva de crescimento negativa do PIB na média dos próximos dos anos. Receberam “nota vermelha” Portugal, Grécia e Costa do Marfim. 

O Japão, por sua vez, terá o crescimento mais baixo de sua região (leste asiático), único a ficar com média abaixo de 2% (1,4% em 2011 e 2,1% em 2012). Os países nessa situação são identificados no relatório com a cor rosa. No Oriente Médio, o único país nessa situação,segundo o fundo, será o Irã (0%em 2011 e 3% em 2012), assim como a Suazilândia no continente africano, à frente apenas dos marfinenses. 

Na América Latina, o mesmo ocorre com a Venezuela (1,8% em 2011 e 1,5% em 2012). O país terá também, segundo o fundo, a maior taxa de inflação (29,8% em 2011 e 31,3% no ano seguinte). Segundo a Cepal, em outubro de  2010 a taxa de inflação nos últimos doze meses, foi de 27,5% em outubro de 2010. 

Fonte: Operamundi

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Argentina pode ressuscitar taxação sobre grãos, diz jornal

BUENOS AIRES (Reuters) - A Argentina pode ressuscitar um imposto polêmico sobre a exportação de grãos, segundo noticiou um jornal do país neste domingo. A medida teria o potencial de aumentar as tensões com os produtores rurais, no país que é um dos principais fornecedores de grãos do mundo.

Um plano para aumentar impostos sobre a exportação de soja em 2008 motivou protestos em todo o país. As manifestações afetaram os mercados globais de commodities e a popularidade da presidente Cristina Fernandez, que planeja se reeleger em outubro.

"O governo trabalha num novo sistema fiscal para estabilizar a renda dos produtores e permitir que o Estado fique com parte da receita vinda do aumento de preços", publicou o Página 12, jornal conhecido pelos canais junto às autoridades.

O governo planeja encaminhar o projeto ao Congresso para aprovação, segundo o jornal. Além da taxação, o governo também planeja outras medidas para elevar a intervenção sobre o comércio de grãos. Ninguém do governo estava imediatamente disponível para comentar a reportagem.

Em janeiro, um protesto de fazendeiros contra cotas de exportação impostas pelo governo suspendeu a venda de grãos por uma semana e reavivou o conflito com o governo. Os fazendeiros afirmam que o sistema prejudica a renda do setor em um momento de alta nos preços das commodities.

A Argentina é a maior exportadora mundial de óleo de soja e a terceira maior exportadora de soja em grão. O país também é um grande fornecedor de trigo e o segundo maior exportador de milho depois dos Estados Unidos.

(Reportagem de Maximiliano Rizzi)

Fonte: Agrolink

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Impacto regional das mudanças climáticas preocupa autoridades

Os impactos das mudanças climáticas na economia agrícola da América do Sul foram tema de debates promovidos pelo Conselho Agropecuário do Sul (CAS), órgão consultivo do Mercosul. Reunidos durante dois dias, em Buenos Aires, ministros da Agricultura de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai discutiram o assunto. Eles anunciaram que vão intensificar os estudos e incentivar programas de agricultura sustentável para reduzir os riscos na produção de alimentos.

"Vamos colocar na mão dos técnicos da Rede de Coordenação de Políticas Agropecuárias do Cone Sul a criação de um sistema para avaliar os impactos dos fenômenos climáticos em nível regional e incrementar as ferramentas já disponíveis", comentou o ministro da Agricultura do Brasil, Wagner Rossi. Ele é o presidente do Conselho Agropecuário do Sul, no sistema temporário de rodízio dos seis países que integram o órgão.

Em declaração oficial, assinada pelos ministros da Agricultura Julián Domínguez (Argentina), Nemesia Achacollo (Bolívia), Wagner Rossi (Brasil), José Antonio Galilea (Chile) e Enzo Cardoso (Paraguai), além do vice-ministro de Agricultura do Uruguai, Daniel Garín, a avaliação é que a recente alta dos preços dos alimentos teve como um dos elementos determinantes a ocorrência de eventos meteorológicos intensos, que influenciaram na oferta de produtos.
"A variabilidade climática demanda o fortalecimento das estratégias dos ministérios da Agricultura da região e dos demais atores envolvidos para minimizar o impacto negativo na produção agropecuária e nas populações mais vulneráveis", aponta o texto assinado pelos ministros.

Programa ABC
O ministro Wagner Rossi apresentou aos colegas dos países vizinhos as linhas gerais do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), lançado no ano passado pelo governo brasileiro, como parte do esforço do país em estabelecer metas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa até 2020. O programa prevê condições especiais para os produtores que apostarem em atividades produtivas que permitam a redução da emissão de gás carbônico (CO2), gás metano (CH4) e óxido nitroso.

"A idéia é difundir uma nova agricultura sustentável que reduza o aquecimento global, ao mesmo tempo que garanta o aumento da produtividade agropecuária", explicou. O Programa ABC prevê metas como a recuperação de 15 milhões de hectares de terras degradadas no Brasil.

Ele apontou que o governo brasileiro quer incentivar os agricultores a adotarem o sistema de integração lavoura-pecuária-floresta em 4 milhões de hectares de terras. "Isso vai gerar mais renda aos produtores", disse. Outra meta do Programa ABC é levar a adoção do sistema de plantio direto na palha a 33 milhões de hectares de terra.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Apagão portuário é ameaça ao crescimento do agronegócio

ANÁLISE INFRAESTRUTURA
LUIZ ANTONIO FAYET
Especial para a FOLHA

O agronegócio brasileiro é um ilustre desconhecido da população, embora seja um dos maiores sucessos: sustentáculo do país e grande fábrica de mercado interno. Há 50 anos, o país dependia da importação de alimentos, mas hoje ocupa o segundo lugar como maior supridor do mercado externo. 

Em números aproximados, o Brasil supre 33% desse mercado em soja, 40% em açúcar, 85% em sucos cítricos, 90% em etanol, 45% em carne de frango e tem o maior rebanho bovino do mundo. 

O outro lado desse panorama: baixa apropriação de renda pelos produtores e pontos de pobreza no campo, apesar dos avanços. O problema está da porteira para fora: instabilidade jurídico-institucional, massacrante carga tributária e colapso logístico. 

A mudança da geografia de produção consolidou nas áreas tradicionais do Sul e do Sudeste as atividades mais complexas, transferindo para o Centro-Norte/Nordeste e Centro-Oeste a responsabilidade de atender o mercado de grãos, de carne bovina e de produtos florestais.
 
Mas essas novas fronteiras padecem de infraestrutura de transportes, especialmente de portos. Isso obriga o envio de cargas para os congestionados portos de Santos, Paranaguá e São Francisco do Sul, rodando perto de 2.000 km. 

Produtores do norte de Mato Grosso têm despendido mais de 50% do valor da soja em logística até um porto. 

Por isso, o país deixa de produzir cerca de 3 milhões de toneladas de soja e milho na última safra. Inaceitável. 

Para o Sul-Sudeste, o segmento de contêineres é ainda mais preocupante. Aumentar a exportação de carne de frango não mais depende da produção, mas, sim, de como tirar o produto do país. 

É necessário alterar a atual política portuária -baseada no decreto 6.620/2008, que inibe os investimentos privados em terminais, quando o governo não terá capacidade financeira por vários anos. 

A solução é urgente, mas, se adotada já, em quatro anos o quadro começará a ser revertido. Apagão nos aeroportos fotografa bem: pessoas dormindo no chão, passageiros vociferando contra funcionários inocentes. 

O apagão elétrico é mais impactante: a fábrica para, a geladeira não funciona, o banho é frio, perde-se a novela. Já o apagão portuário é diferente, invisível, mas infinitamente mais perverso: apaga os empregos, destrói a renda, apodrece as contas externas. 

A situação do colapso portuário não tem solução "de prateleira" e nos obriga a pelo menos duas reflexões: a) interessa, é justo para a sociedade brasileira prejuízos tão brutais?; b) até quando a soberania nacional prevalecerá diante das necessidades de um mundo faminto? 

O Brasil precisa ter juízo para não se atrapalhar. As coisas devem ser postas no rumo certo, pois já se acredita ter havido a substituição do "carismatismo" pelo cartesianismo na gestão pública. Mas a jornada é longa, e as sequelas para a economia, muito grandes e irreparáveis.

Luiz Antonio Fayet é economista e consultor em logística.

Fonte: Folha de São Paulo