quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Festas de fim de ano com carne suína

Leitão assado, pernil, costelinha, lombo, bisteca, bacon, torresmo, linguiça e salame. Certamente um desses ingredientes suínos vai frequentar mais de uma vez a mesa do brasileiro neste mês e tem grande chance de ser o prato principal nas ceias de fim de ano. Isso se a tendência de aumento de consumo de carne suína se confirmar até o último dia de dezembro. Segundo a Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), o consumo per capita de carne suína deve fechar o ano com 14 a 14,5 quilos, ou seja, 2 quilos a mais do que o desempenho do ano passado.

Migração. O setor de suínos foi beneficiado também pela alta de seus principais concorrentes
Embora o brasileiro ainda prefira comprar, ao longo do ano, principalmente carne de frango - proteína responsável por 44% do consumo nacional, representando 40,1 quilos per capita/ano -, e, em seguida, carne bovina, com 41% do total, ou 37,3 quilos per capita/ano, a carne suína, que hoje ocupa o terceiro posto, com o índice de 15%, tem grandes chances de desbancar essas duas carnes na mesa do Natal e do ano-novo, seja na forma de tender, pernil ou leitoa à pururuca.
Mercado aquecido. Para o suinocultor, a elevação dos preços já havia confirmado o consumo aquecido antes mesmo de dezembro começar, com picos de preço no fim de novembro. Segundo a APCS, a arroba do suíno chegou a valer R$ 70 ao produtor. O quilo da carne ficou na média de R$ 5,60 e o preço do animal vivo, R$ 3,73.
"A expectativa do setor é que o preço continue firme, com o aumento de consumo", afirma o presidente da entidade, Valdomiro José Ferreira, acrescentando que o bom momento atual é reflexo sobretudo de campanhas para quebrar o preconceito contra a carne de porco, vista como alimento com alto teor de gordura. "Hoje há várias linhagens suínas que produzem carnes saborosas e magras", afirma Ferreira.               
Outro fator que contribuiu para o crescimento do consumo está ligado à situação de estabilidade econômica do País, além do maior poder aquisitivo da população. "A carne suína está presente nas refeições do brasileiro e já entra pelo menos duas vezes por semana na mesa das classes D e E", afirma o presidente da APCS.
  
Fonte: O Estado de S.Paulo online

Governo anuncia campanha para carne brasileira

O governo vai promover uma campanha no exterior para divulgar informações sobre as condições fitossanitárias e a qualidade dos produtos do agronegócio brasileiro. A informação foi dada pelo ministro da Agricultura, Wagner Rossi. A campanha dará prioridade aos países "que exageram nas exigências" para importar carne brasileira, disse Rossi. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já autorizou a iniciativa.
Para o ministro, o Brasil já reúne condições para ser considerado área livre da febre aftosa com vacinação em todo o país, pois, há mais de seis anos, não são registradas ocorrências da doença. Rossi admite que o Brasil terá mais facilidade para receber esse reconhecimento internacional quando a situação sanitária dos países vizinhos for mais confiável. Por isso, o governo brasileiro tem interesse em apoiar a Bolívia, a Venezuela e até o Equador, que não faz fronteira com o Brasil, no combate à aftosa.
O ministro relatou que autoridades estrangeiras que cuidam de comércio exterior e saúde pública "não estão suficientemente informadas sobre a regularidade que existe no Brasil, não só quanto às condições fitossanitárias, mas também sobre a questão agrária do uso da terra para a pecuária ou produção agrícola".
De acordo com o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Carne Bovina, Antenor Nogueira, a União Europeia (UE) só quer comprar carne bovina brasileira de gado identificado pelo sistema de rastreamento que seja da mesma fazenda, desde o nascimento até o abate. Ele considera essa exigência uma "discriminação" da UE com o produto brasileiro, pois "outros importadores não fazem a mesma exigência".  Com informações da Agência Brasil.

FONTE: Pecuária.com

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

FAO aponta forte alta no preço dos alimentos


A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) elevou hoje o índice mensal de preço dos alimentos para o nível mais alto em 28 meses devido à valorização global das cotações dos cereais, do açúcar e dos óleos vegetais.
O indicador em novembro subiu 3,7% frente ao mês anterior, a 205,44, maior patamar desde julho de 2008 e apenas oito pontos abaixo do pico atingido em junho do mesmo ano. Este foi o quinto mês consecutivo de alta.
O índice medido pela FAO é um termômetro da variação mensal dos preços internacionais de uma cesta de commodities e é acompanhado de perto por analistas e investidores. Houve um avanço generalizado nos preços de quase todos os principais itens alimentícios, exceto produtos de carne.
O indicador dos cereais saltou para 225 em novembro, maior nível em 26 meses e 2,3% acima da leitura divulgada em outubro. O do açúcar teve alta de 7,3% no período, alcançando o recorde de 375, e o de óleos e gorduras aumentou 10,5%, para 243. A FAO também ajustou o índice de preço dos produtos lácteos para 207,79, enquanto o da carne ficou praticamente inalterado em 138,53.
Condições climáticas adversas, ou muito secas ou excessivamente úmidas, afetaram os principais produtores e exportadores de alimentos ao redor do mundo, incluindo Rússia, Ucrânia, Canadá, Estados Unidos, Alemanha, Austrália, Paquistão, Argentina e países do Sudeste Asiático.
Volatilidade
A volatilidade dos preços das commodities agrícolas permanece alta em comparação a outros mercados e poderá afetar o custo dos alimentos, a segurança alimentar e a renda dos produtores. Mas a situação atual não é muito diferente do que aconteceu nos últimos 50 anos para vários produtos. A conclusão é de um estudo preliminar que a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) submete a seu Comitê de Agricultura esta semana, em Paris. A discussão reúne mais de 30 países, inclusive o Brasil, e comprova que a volatilidade das cotações agrícolas entrou definitivamente na agenda internacional.
A França confirmou que quer colocar o problema entre as prioridades de 2011 de sua presidência do G-20, que reúne as maiores economias desenvolvidas e emergentes. Paris quer regular melhor os mercados financeiros ligados às commodities. Estima que os derivativos, concebidos como proteção contra grandes flutuações de preços, tornaram-se ativos financeiros como os outros, utilizados para especulação e favorecendo, na prática, as repentinas altas e baixas dos preços agrícolas e de commodities ligadas à energia.
O estudo da OCDE conclui que os casos de saltos de preços da maioria das commodities agrícolas nos últimos 50 anos seguiram um ritmo similar - valorização em um ano seguida de forte queda no seguinte. Além disso, os ganhos agrícolas aconteceram em um contexto de alta de quase todas as matérias-primas, sobretudo petróleo e metais.
A análise por produto mostra que a volatilidade tem sido, na média, menor para carne bovina e açúcar desde 1960. Na última década, houve mais variações de preços do que no anos 90, mas o mesmo não é verdade em relação aos anos 70 para carne bovina, arroz, soja e açúcar. Entre 2006 e 2010, a volatilidade foi maior que em 1990 para cereais como trigo e arroz. Em 2009, quando vários produtos declinaram, a exceção foi para lácteos e óleo de soja.
O estudo analisa também se os preços de petróleo e fertilizantes tiveram impacto importante nos preços das commodities agrícolas. Conclui que os maiores impactos das altas mensais do petróleo - que provoca alta nos custos de produção e transporte - é sobre as produções de manteiga, leite em pó e oleaginosas. Anualmente, também tem reflexos importantes sobre milho e trigo.
O impacto do petróleo sobre o açúcar é pequeno em razão do uso do bagaço da cana na geração de energia pelas usinas. Mas a OCDE diz que o aumento da produção de biocombustível alterou a situação e o açúcar é o único produto que teve ampliada sua correlação com o petróleo quando este é defasado um ano. No caso dos adubos, o maior impacto é na volatilidade de preços de manteiga, leite em pó, arroz, milho, oleaginosas e trigo. O menor impacto é sobre carne bovina e açúcar.
FONTE: BeefPoint

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Atraso na safra e demanda forte elevam preço do leite

O valor médio pago em novembro ao produtor - pelo leite entregue em outubro - subiu 1,7% no mês, para R$ 0,718 por litro, em média, mostra levantamento da Scot Consultoria. O acompanhamento do Cepea/Esalq indica aumento ainda maior, de 2,4%, para R$ 0,7142 por litro, em média.

A matéria-prima em alta e o consumo elevado também sustentam a valorização de produtos finais como o leite longa vida e queijos. No primeiro caso, a alta no varejo foi de 7,9% de outubro para novembro, mostra acompanhamento da Scot. Já o queijo tipo mussarela, por exemplo, saiu de R$ 21,05 o quilo no varejo em julho para R$ 23,32 o quilo em novembro, segundo a consultoria.


"A expectativa é não ter estoque de passagem [de lácteos]", observa Laércio Barbosa, diretor do Laticínio Jussara, referindo-se ao período entre o fim deste ano e início de 2011. Ele afirma que apesar da safra de leite, não há sobra de matéria-prima no mercado.


Para entender o comportamento atípico do mercado nesta época do ano é preciso voltar ao começo de 2010, quando o leite subiu no período de safra. "As indústrias saíram em busca de matéria-prima no início do ano. No segundo e terceiro trimestres, houve aumento dos estoques e queda dos preços", explica Cláudio Teixeira, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida (ABLV) e da Italac.


O que não se esperava era que as chuvas atrasassem, por causa do fenômeno climático La Niña, postergando também o aumento da oferta de leite a partir do último trimestre. Sem chuvas, a oferta de pastagens para alimentação dos animais foi prejudicada. "Os estoques [de lácteos] acabaram e a safra atrasou", conta Teixeira. Geralmente, em outros anos, há excedente de leite em outubro, mas hoje o mercado está equilibrado, acrescenta.


A menor captação de leite em outubro também explica a alta dos preços. O Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-Leite) caiu 1,7% em relação a setembro, conforme pesquisa feita em seis Estados produtores. Segundo o Cepea, a redução se deve principalmente à menor captação no Sul do país - nas outras regiões, houve crescimento. Em comparação com outubro de 2009, a queda na captação é de 4,6%. No acumulado até outubro, porém, o índice ainda registra alta, de 4,3%, em relação a igual período do ano passado.


Neste ano de mercado atípico para os lácteos, o segmento também viu uma recuperação da demanda por leite longa, cujo consumo havia caído quase 1% em 2009. De acordo com a ABLV, o consumo do produto deve aumentar 4%, para 5,5 bilhões de litros este ano. "O consumo foi forte e houve crescimento da demanda nas classes C, D e E", diz o presidente da ABLV. Ele afirma que o segmento ganhou novos consumidores em função do aumento da renda da população. Só no Nordeste, o consumo de longa vida cresceu 57% nos últimos três anos, estima a associação.


O bom desempenho do mercado interno, ao lado de um câmbio desfavorável, acabou desestimulando as exportações brasileiras de lácteos este ano. Com os preços estáveis no mercado internacional e o custo alto da matéria-prima, o produto brasileiro perdeu competitividade, diz Barbosa, da Jussara.


De janeiro a outubro, as exportações totalizaram US$ 113,312 milhões e as importações, US$ 230,709 milhões, segundo dados da Secex. O número está bem distante de 2008, quando país exportou US$ 509,1 milhões no ano graças a demanda elevada e dólar mais valorizado em relação ao real. "O câmbio prejudicou as exportações", reforça Rafael Ribeiro, analista da Scot Consultoria.


Para Ribeiro, a tendência para os preços do leite ao produtor é de estabilidade neste mês, quando os pecuaristas receberão pela matéria-prima entregue em novembro. Além de a oferta já começar a aumentar, neste período do ano costuma haver redução do consumo por causa da chegada das férias.

Fonte: Portal do Agronegócio